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Dia desses (crônica sobre a saideira)

Eduardo Rebuzzi Filho

 

Dia desses meus ouvidos foram agraciados por uma dessas pérolas da sabedoria de botequim quando um notório freqüentador da minha varanda disse em resposta a um amigo meu que reclamara já estarmos na terceira saideira da noite: “a saideira não é um fato, é um processo”, o que prontamente nos levou todos a gargalhadas e a conclusões — precipitadas ou não — que, como processo, poderia ser caracterizado como cíclico ou linear, ou mesmo como um andar meio torto.

De fato, pensar na conclusão do processo de saideira nos faz pensar em diversas hipóteses. Ocorreu a um dos presentes que esta poderia não ser concluída no caso de acordarmos pela manhã ao lado da bela mulher que conhecêramos na noite anterior e descobrirmos que, sim, o bom senso de um ser humano começa a ser seriamente afetado após a décima-primeira lata de cerveja, fato que certamente exigiria, como não, a continuidade da saideira, mesmo que seja num local distante de onde o processo se iniciara.

Outros sugeriram como um fim menos trágico a esse nosso delicioso hábito de inventar desculpas para continuar bebendo o repentino ato de ir ao banheiro e não voltar mais, pois conversar com a privada muitas vezes se torna uma necessidade maior do que o prazer de ouvir besteiras alheias.

Sobre o andar torto, bem, só preciso dizer que restaram as canelas roxas.

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº13: download PDF

 

 






 

 


 

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