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por Ângela F. Perricone Pastura
Professora de Língua Francesa

 

Envaidecida com o convite para escrever nesta coluna especial do Plástico Bolha, pensei imediatamente nos meus alunos, meus queridos, ex e atuais, que, graças a Deus, tornaram-se meus amigos. Lembrando de cada um particularmente desde o primeiro dia de aula, nosso primeiro contato.

Todo início de semestre é um desafio. Como são? Que faculdade fazem? O que esperam do curso? E começamos então a nos conhecer e – o que é bom demais – laços de amizade vão se formando.

Roland Barthes diz que “há uma idade em que se ensina o que se sabe, mas em seguida vem outra idade em que se ensina o que não se sabe.” Assim, o aluno aprende do professor não necessariamente o que queremos ensinar, mas aquilo que quer aprender. Pode aprender o contrário ou diferente do que ensinamos. Ou até o que o mestre nem sabe que ensinou mas o aluno reteve. O professor ensina o que não quer, algo de que não se dá conta e passa silenciosamente pelos gestos e maneira de ser.

Affonso Romano de Sant’Anna disse uma vez que os alunos deveriam não apenas desejar saber, mas saber desejar. “Desejar o saber é uma primeira etapa, mas saber desejar é refinada atitude.” Assim, o melhor professor seria aquele que não detém o poder nem o saber, mas que está disposto a perder o poder para fazer emergir o saber múltiplo. Talvez seja por isso que em francês o verbo apprendre tanto significa aprender como ensinar e também saber. Depende da regência. Depende de nós.

Desenvolver nossas capacidades nos leva à auto-realização. Devemos sempre levar em conta que temos interesses e necessidades diversificadas e que nossas aptidões são diferentes. Precisamos definir claramente o que queremos e, em seguida, acreditar, rejeitando pensamentos, palavras e expressões do tipo: “Mas... será que eu posso?”, “Será que eu consigo?”, etc.

Qual é nossa missão como professor? Sempre reflito sobre isso. E, nesses quase 40 anos de magistério (sinto grande orgulho invadir minha alma. O prazer da companhia dos três amores da minha vida, que são meus filhos, Giuseppe e André, e meu neto Filippo, é compartilhado quando estou com meus alunos, conversando, aprendendo, estudando ou cantando.) chego à conclusão de que é descobrir ou ajudá-los a descobrir. Como Michelangelo dizia: achar o anjo dentro do mármore, procurar dentro de cada aluno a sua potencialidade. Acreditar. Torcer. Estar disponível. Estar ao lado e não em frente. Fazer o melhor. Respeitar e tratar com carinho. Chamar atenção também. Cuidar para que aprendam de verdade e com seriedade. Que não seja uma aprendizagem passageira. E que saibam que podem contar comigo. Sempre.

Um recado de Baudelaire para vocês, queridos, “Il est l’heure de s’enivrer! Pour n’être pas les esclaves martyrisés du temps, enivrezvous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise.” *


“Et si nous nous aimons,
cherchez pas la raison,
c’est parce que c’est si bon,
c’est parce que c’est si bon.” **

 


* (N.E. - em tradução livre - É hora de se embriagar! Para não serem os escravos martirizados do tempo, embriaguem-se, embriaguem-se sem parar! Com vinho, poesia ou virtude, a escolher).
** (N.E. - em tradução livre - E se nós nos amamos, não procure o motivo, é porque é tão bom, é porque é tão bom)

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº14: download PDF

 

 






 

 


 

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