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Uma história do amor.

Daniel Jablonski.

 

Para um vídeo de Antonio Sobral.

 

Abrir-se em amor. Em fé pela beleza, abrir-se, desnudo. Pés a terra: e isso é amor. Deixando que o universo fale contigo, ser...no infinito, no infinitivo. Em momentos eternizados, em amores eternizados. Pelo tempo, tanto tempo. Nessa cachoeira, nesse mar, nessas meninas. Nas palavras de amor que voam em asas de gaivotas marinhas. Há tantos anos pronunciadas por lábios ácidos de amantes. Uma História do amor. Compartilhados os lábios, compartilhadas as palavras. Estar. Compartilhar. Agradecer. Mas talvez um amante, talvez o mais antigo da espécie, um dia — humilhado de amor, compreendendo talvez mesmo mais do que podia suportar, mais do que pôde ser toda aquela vida transcorrida em sonhos —, venha a dizer as palavras duras, frias, e egoístas. Talvez mesmo aquele Sócrates que um dia falou a Fedro sobre a virtude e sobre o Amor, deitados os dois que estavam sobre a grama e escondidos pela sombra do velho plátano, (como tuas meninas), ali, justo fora dos muros de Atenas (como na tua cachoeira, vê) — a sabedoria junto à graça — talvez ele mesmo, murmure ainda dia desses, cabisbaixo: — “O quanto não foi preciso cerrar para abrir-se, pequeno Fedro, o quanto! Considera isso”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº14: download PDF

 

 






 

 


 

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