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Sem palavras

Regina Pombo

 

Você começou a nascer no dia em que me dei um presente. E agora desanda desanda e nada estanca. Escrevo na parede de pedra. Texto.Teso. Tudo. e logo saio. O alívio ocupa o que me aflige. Chego em casa às quatro. No armário café, pão e queijo. O relógio de ponteiro parado às doze. Mudo como a sala. escrevo escrevo escrevo e nada pára. Meu Deus não pára. Na mesa o caderno guarda todas as palavras a lápis, caneta. São muitas e estão soltas. Folhas agora marcadas por palavras palavras palavras. Guardei pra você por todos esses anos. A boca sem voz. Aqui ao lado da sua cama procuro seu lábio. Desenho com o dedo o sorriso que me lembro. E me levo ao jardim onde brincava. E rodava rodava rodava quando a vida nada me custava. Só soava e se anunciava. Um mar de palavras palavras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº16: download PDF

 

 






 

 


 

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