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A partir desta edição, o plástico bolha proporá sempre desafios para os amantes da poesia. O primeiro deles trata-se do exercício de tradução “às cegas” de uma língua totalmente desconhecida, o húngaro. Vejamos a seguir o poema original, e as “traduções” que nossos colaboradores enviaram. Para a próxima edição, o desafio será escrever um poema sobre “o sabonete”. Todos estão convidados a trovar sobre este tema tão escorregadio, basta mandar seu poema sobre este objeto para o e-mail do jornal.

 

Néma taj
A taj még alszik,
néma csend honol,
nem szól a madárdal
a fákon, patakparton.


Néhol egy gally
meg-megrezzen,
lágy szellö lengeti,
bus nótáját énekli.


A forras nem csobog,
nem zenél,
csak csendben ül
a szikla tetején


Am ha jö a tavasz,
ébred taj,
leveszi minden
szomorú zászlaját.

Demény Zita,
grande poeta húngaro

 

Nenhuma arte

A arte nega asilo
nenhuma consente honor
nem sol a madrigaz
a ficão pronto-a-portar.


Nenhum eco de gala
nega-nega grasse
larga zelo longuete
ônibus nota já é igual


A forrar nem albogue
nem zelote
quiçá consinta a bem útil
e cíclica tatera.


A um anjo de alabastro
a obra de arte
levada à minuta
examinou zás-a-jato.
Sueli Rios

 

Nu mar Tal
A tal me assiste,
Num mar de honra,
Em que nem sol pode mandar
Na faca que partiu.


Nem ovo de galinha
Me emociona enquanto,
Na laje eu leio sozinho.


Vou às forras com o sabão,
Nem sei.
Em casa que se bebe álcool,
A saia não pára.


Mas há quem seja capaz,
De se embriagar,
E se lavar ao mesmo tempo.
Só morando sozinho pra saber.

Letícia Katz

 

Esta não
Nesta manhã alcalina
não seca o orvalho
nem o sol da madrugada
de fato participa.


Névoa sobre os galhos
da manhã-amanhecendo,
lago de gelo longevo,
um notável silêncio.


Nas folhas nem sombra,
nem mel,
casca semente úmida
a paisagem a emudecer


As rãs e os sapos atravessam
ébrios esta
leveza que ninguém
sussurra ou alarda.
Isabel Diegues

 

Nenhuma tágide
A tágide grande e altiva
nenhuma cassandra venera,
nenhum solo a perfilha,
a fecunda e multípara.


Ovos galados em neve
em meio ao mezanino,
lagos de geléia longínquos,
notáveis rebuçados iníquos.


À forra nenhum ciborgue,
nenhum senil,
cossacos e cassandras mil,
a ciclotímica tetéia.


Tenho jogado nas tavernas,
ébrio, entre as tágides,
recordando de leve
os sonoros dislates.
Paulo Henriques Britto

 

Nenhum ser
Um grande ser alçado,
nenhuma honra enviada,
não só a loucura ardente
partiu a pata de um falcão.


O negror ergue galões
de grande grandeza,
lago de zelo longevo,
nunca mais seres molhados.


Um futuro não sangrento,
não tranqüilo,
como se Deus enviasse
uma sigla sacro-sagrada.


Sem um beijo do rei Ám,
ébrio ser,
lendário mentiroso,
esmoreceriam as mulheres.
Lucas Viriato

 

Nenhuma tarde
A tarde mostra auroras,
nenhuma, porém, honra,
nem mesmo o sol do madrigal
de fantasias, a lua ao meio-dia.


Nunca eqüinos galgaram
mostrando tamanha alegria,
ao largo de céus longínquos,
por isso, a nostalgia os enternecia.


À força não soerguia,
nem zunia,
os cansados e saudosos uivos
da tristeza que teciam.


Ainda há um zumbido atravancado,
uma ébria tarde,
de leveza mínima,
murmúrios e zombarias.
Luiz Coelho

 

Tal do Magarefe
o tal do magarefe
com jaleco sujo
quis matar o urso
correu na Patagônia


bebeu água e amônia
saiu pelado
sem vergonha
o frio do estado


foi às forras
congelando até dentes
imagine os pertences
que ele não guardou


escorregou e levantou
mas logo derrapou
e o bicho abocanhou
sacudiu e o soltou

Luiz Carlos Nascimento

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº17: download PDF

 

 






 

 


 

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