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Os Sete Novos

Publicar pela primeira vez nunca é fácil. Três amigos, Augusto de Guimaraens Cavalcanti, Domingos Guimaraens e Mariano Marova tto , formamo grupo Os Sete Novos , que estreou pela 7 Letras . Mariano lançou o livro O primeiro vôo. Domingos lançou A gema do sol e Augusto Poemas para se ler ao meio-dia Aqui, vai uma amostra do novo trabalho do grupo: uma série de textos sobre os Estados Unidos. São três, mas valem por sete...

 

Nutricionistas americanos

 

“Nutricionistas americanos defendem McDonald’s para crianças inapetentes” era a manchete de um jornal que jorrava delirantes números transgênicos de gordura saturada vindos de uma universidade na Califórnia. Enquanto isso, no centro-oeste da potência, caminhava por Milwaukee, Wisconsin, um pequeno inapetente com seu jornalmanchete- guia debaixo do braço. No seu décimo terceiro McDonald’s da semana, ali na interseção da E. Potter Avenue com Kinnickinnic, o pequeno inapetente triturou seu vigésimo segundo BicMac do mês. Em seu sangue começava a pulsar uma antiga canção menominee ativada pelo excesso de gordura trans naqueles genes indígenas adormecidos! Entre palavras tribais e um inglês de convulsiva língua enrolada, espinhentos funcionários do estabelecimento observavam, com temor, aquele ritual xamânico da criança inapetente que verborrajava a profecia do maior shopping indígena dos Estados Unidos da América! THE KENOSHA PROJECT! — urrava o pequeno lobo das neves do Wisconsin! Urrava dominado pelo espírito dos ancestrais trazido à tona pelos números transgênicos saturados da manchete do jornal! Milwaukee parou, ouvindo os gritos inumanos da profecia menominee... Os espíritos antigos estavam libertos pelas mãos de Ronald McDonald! Uma legião de índios com nariz de palhaço, vestidos de vermelho e amarelo, construiriam o Shopping Nação Menominee! Eram os urros de uma nova era... Mas toda nova era pode ser abafada com um golpe de mestre da CIA.

“Criança vestindo penacho indígena é encontrada com 13 BigMacs não-digeridos no estômago, às margens do lago Michigan” era a manchete de um jornal sensacionalista, numa manhã de Milwaukee...
Domingos Guimaraens

 

A verdadeira balada de Jackson Hole Valley

 


“Ó garotinha linda, beije sua mula

Ó garotinha linha, beije sua mula

Que o jackson hole cowboy

Levantará seu chapéu para a gloriosa América”

 

A garotinha da famosa balada em homenagem ao famoso cowboy do Wyoming poderia ser Jenny, filha do proprietário do rancho Flat Creek, Damon Fuller. No rancho do sr. Fuller, não só as mulas, principal atração para as crianças, são famosas, mas também os búfalos reprodutores da raça Carabao. “A comunidade homossexual de todo o país vem até o meu rancho exclusivamente para apreciar o coito de meus búfalos!”— afirma Damon, enquanto o casal nova-iorquino Jerry Liotta e Javier Cruz olham atentamente para a ereção que surge entre as quatro patas de Tony, o mais bem dotado búfalo do Flat Creek. “Em Nova York, nunca veríamos um desses”, explica, espantado, Javier, nascido em Porto Rico. Porta de entrada para o parque de Yellowstone, Jackson parece um turbilhão de alegria e entusiasmo, até mesmo no inverno, quando cerca de 14 mil turistas, em sua maioria gays do sexo masculino, vêm assistir aos rodeios, visitar o parque nacional Refúgio dos Alces e, principalmente, fazer amor sob os picos nevados destas maravilhosas montanhas que se erguem no Wyoming. Isto sim é que é vida selvagem!
Mariano Marovatto

 

Kentucky


O quarto-azul-horizonte, a aritmética do prazer e suas rotas de vento. Giletes subterrâneas de petróleo. O veneno do carnaval: as garras são guindastes e as cicatrizes são poemas visuais.

Na opinião bem fundamentada de William Blake, é sobre as crateras do Kentucky que sairá a “quinta raça”, a raça cósmica que realizará a concórdia universal, será neta das dores e das esperanças da humanidade inteira.

Os mártires do asfalto sabem melhor do que ninguém sobre os sacrifícios da bandeira: No Kentucky é carnaval todo final de mês pela comemoração da vitória apolínea do mundo, são doze os apolos de Kentucky saudados em uma macumba com muita cachaça e KFC em cima das estrelas dos grandes Estados Unidos da Vertigem. O nome do preto velho do Kentucky, portador da quinta raça, é Dom Cruzeiro das Almas ou, mais especificamente para os íntimos, Mr. Sailor of Souls.

Para os navegadores do quarto azul-horizonte, a aritmética do prazer e suas rotas de vento levam sempre ao transe do babalorixá Coronel Sanders. Eles sabem que todo corrimão é movediço; os degraus, por exemplo, estão a todo momento se esfacelando sobre os pés......a estrada estava lá há dois minutos, mas já não está.

Ali na encruzilhada entre Fort Knox e Frankfort, cada mãe de santo recebe a graça do frango transgênico e ainda leva para casa um balde involuntário de tristeza. Sem dúvida nenhuma se comemora o carnaval!!!!!!

Nos cafundós de Wasteland, Kierkegaard, o mulato dinamarquês ensaia sua dança ao luar apolíneo desta miríade chamada Kentucky.

O quarto azul do horizonte já se abriu. José Agrippino de Paula devora um frango frito enquanto espera pela quinta margem na Panamérica do nada.
Augusto de Guimaraens Cavalcanti

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº18: download PDF

 

 






 

 


 

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