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Das coisas escondidas

Paula Gicovate


Todas as vezes que eu procurei, eu fui achar no último lugar (dos que ficam escondidos atrás da estante) e tantas vezes foi alarme falso,que depois de duas semanas a barriga não sentia nenhum frio e nenhum CD fazia graça.Textos escritos,dramáticos em todas as linhas gritando a minha busca ou a dor que eu sentia por qualquer coisinha que fosse,e por um instante eu desisti.Na primeira oportunidade eu o matei.Matei com a minha estupidez e com as minhas armas de boicote.Me auto-sabotei,mostrei para ele minhas olheiras de noites mal dormidas,joguei fumaça na cara dele,dei golpes maldosos com meu cinismo barato e não aceitei a alegria e a calma com que ele veio.Não fazia sentido,ele veio me trazendo sorrisos,abraços,me deixou leve e me deu a mão para levantar do buraco,mas era justamente ali que eu queria ficar,que eu estava acostumada a ficar,e ele me tirou daquelas saídas vazias,das noites escuras,me levou à praia,me deu uma vida saudável e, de repente, eu tive saudades de me olhar no espelho e querer chorar por ainda ser metade.Um dia ele apareceu e, depois de fazê-lo acreditar na possibilidade de me fazer feliz,fechei a porta na sua cara,tranquei meu mundo e joguei a chave no mar.Eu matei o amor com falta de paciência,falta de ligações e olhares para o lado.Matei o amor a duros golpes de incertezas,ataques de insegurança,socos de respostas sádicas e tombos de realidade.E, desde então,ele nunca mais voltou. Às vezes, eu ainda saio por aí procurando alguma migalha desse amor que eu matei. Nunca acho.Não sobrou nada. Mas, mesmo assim, eu continuo olhando atrás das estantes.....

 

 


Esse texto foi publicado no plástico bolha nº 2 : download PDF

 

 

 






 

 


 

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