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O bordado da espera


Entre os dedos longos fios
escorregam desfiando
o tecido a ser traçado
a espera retocando

Desenhado à luz do dia
o traçado a ser tecido
as mãos ágeis decidindo
desfazer o seu destino

Costurando dia a dia
à espera faz-se o manto
tentando frear o tempo
ao novelo aprisionando

Quando a tarde traz a noite
o sol carrega consigo
a extrema ponta do fio
e assim desfaz o tecido

Sol-carretel anoitece
enrola o fio ao novelo
o tempo pára e concede
espaço espera enlevo

E com a manhã seguinte
desponta a ponta do fio
sol traz de volta o caminho
do bordado do tecido

Ela ao tecer incansável
isola o corpo no manto
constrói um fosso um abismo
pretendentes afastando

E enquanto borda a memória
na direção do marido
ele recolhe as pegadas
reconstruindo o caminho

E passam longos os dias
trama traçado tecido
à espera do encontro
desaprisionar o tempo

e tece o manto mais uma vez
como se fora a primeira vez

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº22: download PDF

 






 

 


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