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Olhos Meus
Selma Fontes


Para a adorável Ângela Perriconi,
mulher generosa, sábia e sensível,
referência de ser humano e de profissional.




O sol que brilhava lá fora? Quantas saudades sinto. As crianças já não brincam como antes; agora elas trocam fraldas.

A respiração é lenta para uma mulher que desaprendeu a viver. Lembranças breves e eternas me fazem companhia. Não, não me equivoquei: tudo é breve e eterno aos olhos em suas primeiras descobertas.

Na moldura o traje permanece alinhado. Retrato da época em que eu me vestia. Havia bolas coloridas no salão, excitação dentro do vestido, beleza e música.Eu brilhava em olhos alheios. Todas tínhamos o mesmo penteado, penteado de mulher. Imitar os homens, só mesmo em segredo.

Saudades? Quantas sinto de ficar observando minha mãe conversar. Ela parecia saborear as palavras. Eu queria saber falar como ela e ser um ponto de partida na vida de alguém.

Quantas saudades sinto das meias compridas, das fitas nos cabelos e do abraço do vento. Hoje, o vento apenas me cumprimenta.

Saudades sinto do tempo amigo, das risadas compartilhadas, da alegria inocente e da alma intocável. A inocência e a alegria são o que há de mais preciosos em um Ser. Quando profanados perde-se a poesia cabível a eles. O tempo ora amigo — ora o pior dos inimigos — me faz crer:

Não somos o que desejamos, mas o que a vida nos permite ser. É, o tempo passa com a mesma velocidade que o vento.
Quantas saudades sinto do sol que brilhava lá fora.

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº22: download PDF

 

 






 

 


 

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