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Tradução indireta de um chinês de 2046


 

O amor não acaba. O amor fica. A paixão, não. Vai atrás do que se dê em outros corpos. Outros cheiros. Outras cumplicidades em outros registros. O amor permanece perdido entre parênteses. É ele que fica aprisionado.

Você não entende, talvez. Sim. Acho que não. Você não entende que o amor entre parênteses poderia até se apagar com o tempo, mas que não é fácil, assim. Você não entende que ele ainda está ali — perdido, esperando ser achado. Ali perdido, mas sabido.

Eu não esqueci.

Sei que deixei por aí. E não foi por negligência. Displicência. Foi porque a paixão correu. Se esvaiu. A paixão tem medo. Vai embora quando começa a se comprometer muito. A minha paixão.

Além do mais, ela fez muita besteira.

Além do mais, ela aceitou de você muita coisa que não devia e depois se rebelou.

O amor tem toda uma história contada. Que esta nunca será totalmente apagada.

Sim, pode ser que as cores se esmaeçam, mas... ele é pra sempre. De fato, as cores se esmaecem; mas, pelo menos em tom pastel, o amor é eterno.

O eterno retrato de uma construção.
A gente construiu.
Tantas linhas pra dizer só isso.
O meu amor ainda está em cores vivas.
A paixão deu uma volta. Mas você também abusou dela.

Nós. Nós abusamos. Nós três: eu, você, nós dois.

E às vezes é preciso que a paixão se retire para que se possa perceber com alguma serenidade quais eram os abusos que se estava cometendo — a ela e ao amor. Ela não sabe falar.

Veja só que incrível: eu descobri os segredos do amor.

Só porque eu deixei ele falar. Coisa que a paixão não deixa.

Eu descobri e tenho tanta coisa pra te contar.

Não sei se você ainda quer saber. Se ainda te interessam esses segredos.

Talvez você não entenda. Sim. Acho que você não entende.

Comigo foi assim. Ou pelo menos foi assim que eu percebi o que me aconteceu.

Não sei que etiquetas você gruda nos potes de que sentimentos. Eu grudei assim.

Agora tenho um amor em cores vivas e uma paixão perdida.

Eu grudei assim. Talvez tenha feito errado.
Mas era o que eu podia.
Era o que eu sabia.
Agora eu entendi.

Queria ao menos te explicar os segredos que eu descobri.

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº23: download PDF

 

 






 

 


 

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