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Sobre a morte
Heitor Velasco


Eu vi a morte, mas não ousei dirigir-lhe a palavra. Ela me olhou com aquele olhar de desdém. Eu lhe respondi com um sorriso encabulado, e o meu olhar vazio fez com que ela se interessasse por mim.

Os lábios não desgrudaram, quando quis falar. Nada lhe podia dizer enquanto se aproximava. Petrificado, preso ao chão, fechei os olhos. Tarefa muito árdua era encará-la.

Foi quando uma brisa soprou e por ela ouvi a voz da morte. Não era um som de voz humana, mas a ouvi claramente. Apenas abri os olhos para lhe agradecer, cara a cara, o recado. Ela não estava mais ali, e com ela foi-se o medo.

Àquele dia ela se foi, e nunca mais voltei a vê-la. Nunca senti saudades, pois aquela voz ainda não saiu da minha cabeça. Ainda escuto seus conselhos. Cedo ou tarde, é certo que nos encontraremos novamente. Talvez para uma conversa final.

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº23: download PDF

 

 






 

 


 

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