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Neste Desafio, demos a nossos leitores a chance de contar uma história, explorar em versos alguma narrativa. Veja alguns dos poemas que recebemos. Para nossa próxima edição o desafio será escrever um haicai lato-senso — ou seja, qualquer poema mínimo curto vale. Participe com seus versinhos!

Envie seu desafio poético para desafio@jornalplasticobolha.com.br


os tacos

Bruno Nascimento de Abreu

o colete, a camisa, a gravata
projetam-se sobre os caracteres
miúdos. ele não lê o jornal
fita os títulos dos artigos
como se os devorasse
num silêncio
de muito suor
mas sem faltar à indiferença:
remexe o corpo
puxa as dobras
da camisa, do papel
delicado e encurva
ombros enormes

os dedos da mulher
vez ou outra
em alguma tecla
não tocam, é como se pisassem
as notas
mas sem faltar à indiferença
logo ela abafa o som
exagerado
com remexos no banquinho
desconjuntando ainda mais o corpo
e ainda alisa os amassos
do vestido

ficarão assim
por um bom tempo. e então,
um dos dois
olhará para o relógio de parede
sem faltar à indiferença
já está tarde
seguirão calados, os sapatos
quase sem tocar
os tacos (alguns já estão
meio soltos) até o quarto.

talvez se ouça um boa-noite
um tanto quanto pensado
abafado
pelo travesseiro. talvez
a resposta venha
num tom mais natural: boa
noite

e aí
já estarão desculpados
de toda a indiferença




Esse texto foi publicado no plástico bolha nº26: download PDF

 

 






 

 


 

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