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Dobradinhas

Alice Sant'Anna & Lucas Viriato



Parada obrigatória
Lucas Viriato

A saída abrupta do Coffee Shop desestabiliza
cones e bastonetes, fazendo do traçado
pincelado da cidade um enorme quadro de
Van Gogh


Estruturas de tijolos vermelhos e letreiros
luminosos andam ritmicamente para trás
deixando o trem imóvel em seu lugar


A solidão desoladora de uma bicicleta
esquecida em frente à lanchonete em que
se oferece lixo temperado em gaveta


Três X em seu brasão antecipam seu
filme pornô, seus disparates, suas garotas
emolduradas em luz vermelha chamando
com o dedo indicador


Cruzo o museu com nome de espirro que
um amigo jura já ter ido comigo, mas que só
fui pela primeira vez dois anos depois


Esse Vondelpark é vasto demais e as coisas
que o Moacir Santos canta em meus ouvidos
escondem a falta da companhia de algumas
Índias Orientais


Passeio errático por infinitas pontes
arqueadas cruzando simpáticos barcos nos
quais sei que nunca irei morar
e


[o sono faz com que os turistas]
Alice Sant'Anna

o sono faz com que os turistas
esbarrem nas bicicletas
tanta gente que quase morre
atropelada por aqui
e a causa é a preguiça
de olhar para os lados
te encontro nessa mesa
tirado de um sonho
brincamos de pular no parque
esse lugar não me convence
até hoje tenho medo da prostituta
que me ameaçou com uma garrafa
em sonho eu corro mas ela é mais
rápida, grita em uma língua
que nunca vou aprender
esses croquetes de parede não
me atraem, essas flores cenográficas
que enfeitam os canais
me enchem
de sono



Esse texto foi publicado no plástico bolha nº29: download PDF

 

 






 

 


 

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