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[Como eu quisesse saber deste acúmulo de coisas]

Victor Heringer


Como eu quisesse saber deste acúmulo de coisas,
você foi caindo
a largo passo em falso:
este calor, logo frio,
este time de futebol
e o estranho gosto pelo tango argentino.
O rosto verde (lhe falta vitamina D;
a casa é insularidade).
Os olhos verdes (lhe faltou um clichê
a menos).
As unhas verdes (um
a mais).
O mar, do qual você não gosta. A odontologia possível para arquitetar a chegada. Os ventiladores que assustam e os que nunca despencam. Os poemas conhecidos de cor numa sala de escola. Tudo o que você sabe é de cor. Verde os olhos, este acúmulo de coisas. Os inconfidentes, mas Minas Gerais é muito até lá. Você não sabe que Julio Cortázar já morreu. O esforço da afabilidade. A fórmula possível para a torção e o tornozelo nus. Havana. As linhas retas e os últimos centímetros da cintura que você quer perder. Eu como sua imagem no café da manhã. Soluço silêncios. Você gosta. O brilho fosco do rosto, da ressaca, da voz ao telefone. O abajur, a meia-luz, os peixes, aquele dia em que escrevi suas mãos sem as mãos. A solução salina o suficiente para desquitar o mapa da volta. Eu menti, e você sabe; este acúmulo me incomoda.



Esse texto foi publicado no plástico bolha nº29: download PDF

 

 






 

 


 

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