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Ponte Brasil-Portugal

 

 

A professora Izabel Margato fala sobre a bem-sucedida experiência à frente da Cátedra Padre António Vieira


Centro pioneiro de estudos portugueses no Rio de Janeiro, a Cátedra Padre António Vieira comemorou os dez anos de fundação com o XII Seminário Internacional, em 2004. Quase dois anos depois, chega às livrarias "Literatura/ Política/ Cultura (1994-2004)", reunindo ensaios e reflexões apresentadas nas conferências, centrados em traços que marcaram a década. A publicação reúne textos de professores da PUC e de convidados internacionais, das universidades de Lisboa e do Porto. O livro foi organizado pelos professores Renato Cordeiro Gomes, do departamento de Comunicação, e Izabel Margato, do departamento de Letras e coordenadora da Cátedra, que nos falou um pouco sobre seu trabalho.

- Fale um pouco sobre a origem da Cátedra Padre António Vieira e seu trabalho por lá

A Cátedra foi criada em 1994 através de um protocolo assinado pela PUC-Rio e o Instituto Camões, organismo português ligado ao Ministério das Relações Exteriores. Meu trabalho consiste na orquestração das ações de pesquisa, ensino, publicação e realização de encontros acadêmicos nos quais a Cátedra esteja envolvida.

- E a parceria com o Instituto Camões? Como funciona?

Todo o investimento do Instituto Camões visa a ampliação e o desenvolvimento dos estudos portugueses no Rio de Janeiro. Assim, nós temos a oportunidade e a responsabilidade de zelar por esta diretriz estabelecida desde a assinatura do convênio.

- Você observa um maior interesse por parte dos alunos pelas áreas estudadas na Cátedra?

Noto. O trabalho sistemático da Cátedra no desenvolvimento dos estudos portugueses é, também , reflexo deste interesse. Notamos os leitores cada vez mais interessados pelos escritores portugueses ou de países africanos de língua oficial portuguesa. Neste sentido, temos o desafio de fazer frente a este interesse, produzindo atividades, publicações, cursos e tudo o que estiver ao nosso alcance para que nossos estudos tenham maior visibilidade.

- Desde a fundação, quais foram as maiores conquistas e os trabalhos mais relevantes realizados?

Em primeiro lugar, a formação de uma equipe integrada, composta de professores, pesquisadores, doutorandos, mestrandos e alunos de Iniciação Científica. Esta equipe executa grande parte das nossas realizações, que estão ligadas à publicação da revista Semear – que é uma referência na nossa área – e que já se encontra no número 11. Além dela, temos a revista Gândara – que tem a função de dar maior visibilidade às pesquisas dos nossos doutorandos e mestrandos. No que diz respeito à realização de encontros acadêmicos, não podemos deixar de lembrar dos treze Seminários da Cátedra e do Fórum de Pesquisas que realizamos anualmente. Teremos um fórum de pós-graduandos da PUC e de outras universidades em setembro e o seminário internacional, em novembro.

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Como foi feita a organização do seminário que deu origem ao livro? Como os temas foram divididos?

Partimos das comemorações pelos 10 anos de atividades contínuas da Cátedra. Em função deste marco, as conferências focalizaram bastante o período que vai de 1994 a 2004. As conferências apresentadas apontavam para os traços que mais haviam marcado esta década: autores que se destacaram, questões que se tornaram centrais para a discussão de problemas contemporâneos.

- Para terminar, deixe um recado ou uma citação de que goste para os leitores do Plástico Bolha.

Gostaria, então, de evocar a figura de José Cardoso Pires, um escritor e intelectual português que nos narra uma história de uma criança que, ao arrancar uma das asas de um inseto de nome Alfaiate, percebe o esforço do inseto para recuperar o vôo. Nosso escritor complementa a história com uma reflexão que tem uma relação direta com o seu projeto de escrita e atuação cívica:

"Quantas asas pede um vôo que partiu em busca de um outro equilíbrio?"

Como o Alfaiate, José Cardoso Pires também buscou, entre seus pares, uma visão de mundo para lá do real imediato, uma arte nova que não possuía uma cartilha precisa e de orientação segura. A sua rebeldia para não se identificar com a escrita vigente nem com o establishment cultural fez com que ele também buscasse um outro equilíbrio de escrita, e daí a sua libertação.

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº 3 : download PDF

 

 

 

 






 

 


 

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