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Vínculo perdido

Maria S. Carvalho

 

Era uma tarde de outono, as folhas caíam das árvores e pouco a pouco tomavam conta das ruas, enquanto que Paulo, sentado na calçada, observava como a natureza se manifestava naquele momento.

Pensava no que teria sido sua vida até ali. Pensamentos tristes e alegres tomavam conta de sua mente, as folhas que caíam das árvores eram transformadas em acontecimentos, sonhos e desilusões que tivera ao longo da vida.

As lembranças da infância, dos amigos que se perderam com o passar dos anos, traziam a vontade de voltar no tempo e recomeçar, fazer o que havia deixado para depois e, no entanto, nunca realizado. Dos sinceros amores e de outros não tão sinceros sente saudades.

Porém as recordações da infância insistiam em permanecer no seu pensamento, pois foi nela que viveu os melhores anos de sua vida. Pensava nas férias na fazenda do avô, com seus pais, irmãos e primos; nos banhos de rio; nas brincadeiras nas árvores, pulando nos galhos; e, ao entardecer, em sentar numa pedra para ver o pôr do sol.

Foi nas coisas mais simples que conheceu a felicidade, felicidade essa, agora distante. A família já não existe mais e aquele lugar onde viveu momentos inesquecíveis já não tem mais tanta importância.

Mergulhado no passado, a melancolia tomava conta de sua vida, quando de repente o canto de um pássaro o despertou para a realidade, fazendo com que Paulo refletisse sobre o que o atormentava.

Enquanto o pássaro continuava seu vôo para o infinito, ele o acompanhava com o olhar até perdê-lo de vista. Sentia como se fossem seus sonhos, que perdeu e nem mesmo sabe por onde deixou. Voltar atrás para recolher um por um seria tão difícil quanto as folhas caídas voltarem para as suas árvores.

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº 3 : download PDF

 

 






 

 


 

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