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A menina que usava brincos

Isabella Pacheco


 

Ela não vivia mais de brincos. Não, vivia. mas não eram mais fixos. agora eles eram retirados e postos de volta. Não tinham mais posto! Haviam perdido o privilégio do travesseiro. Do cheiro da cama. Dormiam deitados na mesinha, brilhando, brilhantes, à espera incansável da manhã. Do banho. Da roupa. E então retornavam ao local, agora, de passeio. Haviam de passear. Todos os dias. Até quando fossem trocados, acomodados no veludo macio e na escuridão sem previsão de término. Mesmo se por um período curto, substituídos por um modismo qualquer. ou por anos. Para aí, quem sabe, só saírem para festas.

 

E talvez fossem muito mais felizes assim, observando dali de cima somente os sorrisos, mesmo que mentirosos, dos dias supostamente alegres.




Esse texto foi publicado no plástico bolha nº30: download PDF

 

 






 

 


 

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