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Ao caçar passarinhos

Flávio Morgado


         Tudo é exílio. Tudo, exceto a poesia
                               Dante Milano

 
um passarinho
(sistema singular)
 
é um voo sem palavras
— não pertence ao poema —
mantém-se estranho
 
daí ao caçá-lo
querer sê-lo;
e me aplumo
              no poema
 
o voo que só é
              sendo
às asas não se diz
— nós é que estamos dizendo
 
(colecionamos pássaros mortos)
 
o pássaro não se interroga
           não se publica
           não se pertence
 
tal qual o poema
que se pretende
voo em outras asas
 
mas vale a ele se ater
no que dele tenho
e a ele não posso me ter
 
nos resta então este jogo,
                    um voo do escrito:
 
entre o que me deixo
passarinho permanecido
e o que minhas asas
não sabem ao que bater



Esse texto foi publicado no plástico bolha nº34: download PDF

 

 

 

 






 

 


 

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