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A ditadura cala, a ditadura tortura, a ditadura mata. Completados os 50 anos do golpe militar no Brasil, o Plástico Bolha e seus leitores colaboradores estão aqui para tudo, menos para se unir ao coro de insensatos que pedem a volta a um sombrio passado.

 

Desafio Poético das Vogais

Na edição número 24 do Plástico Bolha, em que o desafio era não utilizar a letra A, textos incríveis chegaram a nós - embora muitos tenham reclamado da dificuldade para driblar a abundante letra A. Dessa vez, decidimos expandir a proposta: quatro desafios de uma vez! Intimamos nossos incansáveis leitores a escreverem e enviarem poemas sem E, I, O ou U. Não queremos ninguém deixando de enviar por colapso de indecisão: se você não consegue evitar o E, tente fugir do I, e assim por diante.

Envie seu desafio poético para
desafio@jornalplasticobolha.com.br

 

 

 

[A ditadura colocou a luminária perto da cabeça]

Augusto Seixas

A ditadura colocou a luminária perto da cabeça
Assim o rosto de qualquer um pareceu suspeito
Tem a forma de uma letra de máquina de escrever
Tem cheiro de poeira, de processo arquivado
Tem cheiro de assoalho de madeira
De carpete pregado no chão
De terno passado
De mutirão
A ditadura tem cor de preto e branco na fotografia
Que torna mais branco o branco e mais preto o preto
Quem é vilão vive na vila. Não mora no castelo
Tantas cores vivas que na foto não saíram
O sangue era mais vivo
Na cena do crime
Bonita foto
Regime
A ditadura tem um jeito de menina do interior
A ditadura tem um laço no cabelo
Vestido que alcança a curvatura do joelho
Longos salmos decorados de cabeça
Quando instigada não opina
Prefere ficar calada
Cão que morde
Não ladra.

 



Esse texto foi publicado no plástico bolha nº36: download PDF

 

 






 

 


 

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