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Bembé da liberdade

Osvan Costa

 

Os pretos todos novos
Jogados à terra em flor
Foram aterrados aos poucos
Não como gente de valor


As ruínas do cais do Porto
O Valongo que se mostrou
Vem revelar um passado
Que nos é constrangedor


São camadas e camadas
De terra, tempo, rancor
Tentativas e descasos
Pra se esconder o horror


Congo, Angola e Benguela
Pedra do Sal testemunhou
A diáspora africana
Roma Negra Salvador


Ben Ben Bembé
Ben Ben Bembé
Dá licença que me vou
Ben Ben Bembé
Ben Ben Bembé
Vou tocar meu Agogô

 

Ben Ben Bembé
Ben Ben Bembé


Dá licença que me vou
Ben Ben Bembé
Ben Ben Bembé
Vou pro Bembé bater tambor


A história permanece
Não prescreve uma dor
Deixa rastro sobre o lastro
Do chão em que se pisou


Hoje eu canto a minha graça
O meu credo, o meu valor
Não vou deixar barato
Qualquer preconceito de cor


Reafirmo a minha presença
Com toda glória e vigor
Grito forte, canto alto
Foi o Bembé que me ensinou

 



Esse texto foi publicado no plástico bolha nº38: download PDF

 

 

 






 

 


 

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