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Mosquito

Ramon Ramos


Na tentativa errada de chupar meu sangue
este vampiro, para meu delírio,
encontrei não nas páginas policiais
d’A Folha ou Estado de Minas, mas
preso e morto, olha que sina!,
entre dois poemas de Eucanaã Ferraz.
É até capaz de que na arte do assassinato
os poemas tenham ficado no rastro
retidos no livro como prova
de quando o matei
pernas na 17, o resto na 16.
Talvez só quisesse
em sua magreza de mosquito
ter certeza deste mito
da poesia-salvação
ou quem sabe
virar vetor de versos
já que diversos são os afetos
e seus transmissores
porque para o mosquito é gosto
o que o outro sente
ele só não contava com isso dos poetas
essa forma direta de à primeira vista
serem tão mortalmente egoístas
quando se trata de inspiração.

 



Esse texto foi publicado no plástico bolha nº39: download PDF

 

 

 

 






 

 


 

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