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por Inés Kayon de Miller
Professora de língua inglesa


Há mais ou menos um mês recebi o convite para me dirigir a vocês, alunos de Letras, e aceitei com muito carinho. Fiquei honrada e pensei que poderia ser uma boa ocasião para compartilhar, com vocês, por escrito, o que faço em oficinas e cursos, onde alunos e/ou professores buscam entender a qualidade de vida das suas salas de aula.

Que questões ficaram para vocês, como alunos, da escola ou do cursinho pré-vestibular? Que questões vocês têm hoje, na PUC?Vocês imaginam, por exemplo, que questões seus professores se faziam quando vocês eram alunos na escola ou no curso de idiomas? E os professores de agora, na universidade?

Alunos de vários contextos e idades já se perguntaram: Por que o professor ao invés de trabalhar em cima da teoria não trabalha em cima da prática?, Por que precisamos aprender coisas que não usaremos na vida?, Por que o professor parece não acreditar que possa aprender alguma coisa com os alunos?, Por que precisamos fazer dever?, Por que precisamos fazer provas?, Por que as avaliações são tão temidas?, Por que algumas aulas são tão cansativas?, Por que existem professores tão desmotivados?, Por que muitos professores se distanciam dos alunos?

Por outro lado, algumas das centenas de questões levantadas por professores são: Por que os alunos não aprendem o que ensinamos?, Por que é tão difícil motivar alguns alunos? Por que tanta falta de interesse, valores, etc.?, Por que parece ser um ‘erro’ desejar que os alunos realmente aprendam?, Por que, às vezes, consigo atingir um aluno e outro não?, Por que é difícil possibilitar o pensamento e a reflexão dos alunos?

Estas são perguntas de alunos e professores de escolas particulares e/ou públicas, universidades, cursos de línguas, cursos pré-vestibulares, aulas particulares, etc., trazidas para reflexão junto ao Grupo de Prática Exploratória do Rio de Janeiro. Meu trabalho e dos meus colegas nesse grupo pressupõe a importância de formular perguntas, porque elas refinam nossas mentes, porque refletindo nos transformamos – alunos e professores – em pessoas e profissionais pensadores, em intelectuais transformadores, que criamos tempo e espaço pedagógico para buscar maiores entendimentos.

Percebam que falo de questões, de perguntas, de busca de entendimentos mais profundos (de ação para entender) ao invés de uma busca por resoluções precipitadas de problemas (de ação para a mudança). Na Prática Exploratória, desvendamos as crenças subjacentes às nossas questões e refletimos sobre elas: O que significa dizer, por exemplo, que os professores são desmotivados ou que os alunos não aprendem?, De quais professores ou alunos estamos falando?, De todos?, É possível termos certezas?, Nossas percepções são iguais às dos outros?, O que entendemos por motivação, por aprender, por ensinar?

O que vocês acham de resgatarmos nosso olhar curioso, investigativo e integrá-lo ao nosso trabalho pedagógico, em busca de maiores entendimentos sobre a qualidade de nossas vidas em sala de aula? Fica o convite carinhoso.

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº 5 : download PDF

 

 






 

 


 

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