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3 microcenas de dupla


1.
- Amor, a gente tem que conversar.
- Também acho.
- Então, eu tô muito chateada com você.
- Desculpa. Foi sem querer.
- Então você sabe do que eu tô falando?
- Sei, claro que sei. Foi mal. Mas eu tava precisando de dinheiro. E aqueles 10 reais ali, na sua carteira, me chamando, sabe como é que é...
- Você roubou 10 reais da minha carteira?
- Ué, não era disso que você tava falando?
- Não, não, na verdade disso eu nem..
- Ai, meu Deus.
- O quê?
- Ai, meu Deus. Já sei o que é.
- O quê?!
- É o negócio com a Carmen, né? Porra, mas você conhece a Carmen, você sabe como ela é atirada, quando eu vi ela tava em cima de mim, me beijando...
- Não! Não era disso que eu tava falando! Disso eu nem sabia até você...
- Ih..
- Ih.. o quê?
- Foi o lance com a sua irmã?
- Que lance com a minha irmã?
- Porra, você conhece sua irmã, meu amor, ela é muito atirada, quando eu vi, ela tava em cima de mim e....
- Não! Eu não quero mais ouvir, não tinha nada a ver com isso!
- Porra, que que foi então? Ihh tem a ver com sua mãe! Ou com a morte do seu pai? O estupro de seu cachorro! Foi mal, é verdade, eu viajei, mas ele é muito atirado, quando eu vi, ele tava em cima de mim e...
- (aos prantos) Não! Não! Eu só ia pedir pra você levantar a tampa da privada quando fosse fazer xixi! Só isso! Só isso!
- (pausa) Precisa gritar?
2.
- Olha nos meus olhos e diz que me ama.
- Eu te amo.
- Não, olha pra mim.
- Como?
- Olha para mim.
- Assim?
- Não. Pra mim.
- Ah, tá. Assim.
- Nos meus olhos.
- Pronto?
- Não. Nos meus olhos.
- Amor, eu sou vesgo.
- Sempre foi?
- Sempre.
- (pausa) Tá, então só diz que me ama.
3.
- Posso te pedir uma coisa?
- Pode.
- Não me chama de meu bem.
- Por quê?
- Não gosto. Me sinto velha. Parece que a gente casou.
- Mas a gente casou.
- É verdade. Mas, e daí? Não gosto.
- Tá bom, meu amor.
- Também não é bom.
- O que?
- Meu amor.
- Por quê?
- Sei lá, meio falso.
- Como?
- É, eu duvido que você pense que me ama a cada vez que diz meu amor. Então é falso, sabe? Não fica orgânico.
- Sei. Desculpa, Fátima.
- Ai, não, Fátima, não!
- Mas é seu nome!
- Eu sei, mas não gosto.
- De que que eu posso te chamar então?
- Sei lá. (pausa) Por que não Adelaide?

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº 9 : download PDF

 

 






 

 


 

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