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AFORÍSTIC@S

ARTE CONTEMPORÂNEA DIALOGANDO COM A CIDADE


Fabio Ferreira, responsável pela realização do riocenacontemporanea é professor de Direção Teatral na UFRJ, no curso de Formação de Ator, no MBA de gestão Cultural da Faculdade Cândido Mendes e leciona História da Encenação MBA da Universidade de Dança na UniverCidade. @ Foi ligado ao Rioarte por dez anos e hoje lamenta a falta de uma política cultural na cidade. @ Numa conversa com a equipe do PB, Fabio, já organizando os festivais de 2007 e 2008, falou do riocenacontemporanea, que teve sua sétima edição este ano, trazendo artistas nacionais e internacionais, com suas peças, leituras, performances, encontros, debates e intervenções urbanas, integrando cidade e público. @ "É importante dialogar com a cidade, mostrar um Rio que o carioca não conhece", ele diz. @ O festival não quer só ocupar espaços, mas formar platéias, mesmo que o público não goste, não entenda. O importante é criar um diálogo entre artista e platéia, envolvendo diferentes gerações, derrubando preconceitos. @ O festival mostra painéis variados. Por exemplo, este ano, houve a Mostra Catalã, como já houve a argentina, a tcheca, mostrando o teatro que é feito fora dos grandes centros. @ O projeto encontra algumas resistências por parte da crítica especializada e jamais foi indicado a um prêmio, apesar de ser inegável a importância de um evento que traz à cidade nomes como o italiano Pippo Del Bono, o argentino radicado em Madri Rodrigo Garcia (La Carnicería Teatro), que entram em contato com a cidade e o país, abrindo a possibilidade de retornarem fora do festival. @ Se a língua é uma barreira, usam-se legendas. Afinal, somos craques em lê-las. O importante é que os espetáculos falem com a cidade. Existe a universalidade da arte, mas é na cidade onde a cultura vibra mais forte. @ A Mostra Universitária aconteceu pela terceira vez, sendo importante pela inclusão do público jovem. Apresentaram-se em 2006 grupos da UFRJ, na Unb, da UNIRIO, da UFMG, da USP e da CAL. @ É importante a possibilidade de aglutinar artistas de outras áreas. Na Estação da Leopoldina, o Projeto Cabaré, dentro do riocenacontemporânea reuniu instalações, performances, pocket-shows, além de encontros de autores, diretores e atores. @ Falando das adaptações de textos literários, Fabio diz que, obrigatoriamente o teatro não conta uma história. "O artista não pode estar preso a paradigmas;afinal, a literatura também já encontrou outros meios, outros suportes. Na Idade Média, liam-se cúpulas, paredes de igrejas. A criação pode usar qualquer suporte, como no caso de Bispo do Rosário e do poeta Gentileza". @ O teatro comercial tem sua lógica, mas a arte tem uma lógica diferente dos cânones do entretenimento. @ O diretor, ao escolher um texto, tem total liberdade. O texto é um dos elementos do espetáculo. Se for só para colocar o texto em cena, ele serve mal ao teatro. É importante saber o que se quer do texto. @ Fabio destaca os trabalhos de Ivan Sugahara, Grace Passô (MG), que mistura literatura, teatro e dança, e Luiz Fernando Marques (SP), do Grupo XIX de Teatro, que realiza o projeto "Casa Aberta", dentro da Vila Operária Maria Zélia. @ Em outra geração estão Amir Haddad, Aderbal Freire Filho e Domingos de Oliveira, incansáveis e atuantes. @ Entre os novos diretores, ele cita Enrique Diaz, Gilberto Gawronski, João Fonseca, Antônio Guedes, além dos autores Daniela Pereira e Roberto Alvim. @ O importante é fazer - como disse Samuel Beckett, que completaria cem anos em 2006, "tentar, falhar de novo, falhar melhor".

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº 9 : download PDF

 

 






 

 


 

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